segunda-feira, 9 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Think about it.
“O rouge virou blush. O pó-de-arroz virou pó-compacto. O brilho virou
gloss. O rímel virou máscara incolor. A Lycra virou stretch. Anabela
virou plataforma. O corpete virou porta-seios. Que virou sutiã. Que
virou silicone. A peruca virou aplique… interlace… megahair…
alongamento. A escova virou chapinha. ‘Problemas de moça’ viraram TPM.
Confete virou MMs. A crise de nervos virou estresse. A purpurina
virou gliter. A tanga virou fio dental. E o fio dental virou
anti-séptico bucal. Ninguém mais vê: O à-la-carte porque virou
self-service. A tristeza agora é depressão. O espaguete virou miojo
pronto. A paquera virou pegação. A gafieira virou dança de salão. O que
era praça virou shopping. A areia virou ringue. O LP virou CD. A fita de
vídeo é DVD. O CD já é MP3. É um filho onde eram seis. O álbum de fotos
agora é mostrado por e-mail. O namoro agora é virtual. A cantada virou
torpedo. E do ‘não’ não se tem medo. O break virou street. O samba,
pagode. O carnaval de rua virou Sapucaí. O folclore brasileiro,
halloween. O piano agora é teclado, também. O forró de sanfona ficou
eletrônico. Fortificante não é mais Biotônico. Polícia e ladrão virou
Counter Strike. Fauna e flora a desaparecer. Lobato virou Paulo Coelho.
Caetano virou um pentelho. Elis ressuscitou em Maria Rita. Raul e
Renato. Cássia e Cazuza. Lennon e Elvis. A AIDS virou gripe. A bala
antes encontrada agora é perdida. A violência está maldita. A maconha é
calmante. O professor é agora o facilitador. As lições já não importam
mais. A guerra superou a paz. E a sociedade ficou incapaz. De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.”
— Luís Fernando Verissímo
http://babihdias.tumblr.com/
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